Archive for February, 2010

Eleições: Marqueteiro já prepara o bote

O mercado publicitário aposta que a campanha de 2010 marcará o retorno de Duda ao marketing político em grande estilo. Basta esperar para ver….

De férias nos Estados Unidos, o marqueteiro Duda Mendonça faz este mês a última pausa antes de cair nas campanhas políticas. Ele, que em 2006 ficou praticamente afastado do ramo depois do escândalo do mensalão, se prepara para voltar à ativa. Antes de viajar, praticamente fechou com o senador Marconi Perillo, candidato do PSDB ao governo de Goiás. Investe ainda em alguns estados do Nordeste e andou ainda por São Paulo, de olho na campanha de Paulo Skaf (PSB) ao governo.

O sonho de Duda, no entanto, era fazer a campanha da primeira mulher que disputará a presidência da República com chances reais de vitória. Ele fez de tudo para tentar fazer com que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, se rendesse aos seus encantos profissionais. No fim de 2009, enviou a Dilma alguns pilotos do que havia bolado para a campanha. Não dispensou sequer algumas tomadas de TV sobre mulheres.

Dilma adorou. Chegou a se referir a Duda como “um gênio da criação”. Afinal, foi ele o publicitário responsável por parte dos comerciais do programa Luz para Todos, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deixando a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, maravilhada.

Duda é considerado um dos mais organizados nessa área eleitoral. Quando percebe que algo não está bem, pede uma série de pesquisas qualitativas para descobrir onde está “pegando”. A partir daí, monta a estratégia para amortecer os pontos fracos do cliente candidato. Em 2002, cortou a barba de Lula e lhe deu um banho de ternos bem cortados, como forma de dar ao candidato rejeitado três vezes nas eleições anteriores um ar de mais experiente, maduro e pronto para olhar de igual para igual os dirigentes de outros países.

O Lula que Duda ajudou em 2002 foi o mesmo que acabou com a festa do publicitário. Ele não quer Duda de volta ao coração de uma campanha presidencial do PT. Não deseja que a campanha de Dilma seja a responsável pelo retorno daquele que declarou ter recebido R$ 7,085 milhões nos documentos oficiais da prestação de contas da campanha de 2002, quando Lula foi candidato pela primeira vez, e, mais tarde, numa comissão parlamentar de inquérito, revelou que o preço combinado com o PT tinha sido de R$ 25 milhões, quase quatro vezes mais do que o valor declarado.

Impeachment

Há quem diga no próprio PT que, se isso não tivesse acontecido com o Partido dos Trabalhadores, Lula teria sido o primeiro a encampar uma campanha pelo impeachment do presidente que teve a campanha misturada nesse bolo. E, para não ter que responder mais uma vez sobre esse tema sobre o qual falou tantas vezes, Lula prefere ver Duda bem distante.

Rejeitado pelo PT, Duda chegou a conversar com os tucanos, mas, no plano nacional, é difícil o partido aceitar alguém que hoje carrega a imagem do mensalão petista. Entretanto, como o profissional não está acabado, Duda continua visto no meio político como um gênio, e os candidatos a governador de vários estados começaram a conversar com ele. O mercado publicitário aposta que a campanha de 2010 marcará o retorno de Duda ao marketing político em grande estilo. Basta esperar para ver.

O número

R$ 7 milhões

Valor que Duda Mendonça declarou ter recebido na campanha de Lula de 2002

O número

R$ 25 milhões

Valor que Duda Mendonça disse, a uma CPI, ter recebido pela campanha de Lula em 2002

Denise Rothenburg

Fonte: Vote Certo

Para preservar Dilma, PT tenta proibir prévias

Sob o argumento de que é preciso evitar queda-de-braço na seara do PT e blindar Dilma na corrida ao Palácio do Planalto, o Diretório Nacional do partido deverá aprovar resolução, na próxima sexta-feira, vetando as prévias para o Senado.

Para preservar Dilma, PT tenta proibir prévias

Dilma com seu dedo em riste

Empenhada em impedir desgastes que respinguem na campanha presidencial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a cúpula do PT quer agora proibir prévias para a escolha de candidatos ao Senado. A decisão promete polêmica, já que em três Estados – Rio, Pernambuco e Mato Grosso – petistas se engalfinham com o objetivo de garantir a indicação do partido para uma das duas vagas em disputa.

Sob o argumento de que é preciso evitar queda-de-braço na seara do PT e blindar Dilma na corrida ao Palácio do Planalto, o Diretório Nacional do partido deverá aprovar resolução, na próxima sexta-feira, vetando as prévias para o Senado. A tendência é deixar o veredicto sobre as candidaturas para os encontros estaduais, em abril.

O estatuto do PT determina a realização de prévia quando houver mais de um pretendente ao mesmo cargo majoritário, mas a decisão, nesse caso, será política. Na prática, o movimento da equipe de Dilma é para desidratar todo tipo de pendenga que possa constranger a ministra e seus aliados.

Além de destacar que nunca houve votação de militantes para a escolha do concorrente ao Senado, petistas argumentam que o 4º Congresso Nacional do partido delegou ao diretório, no último dia 19, a tarefa de decidir, “em última instância”, a tática eleitoral e as alianças necessárias para impulsionar a campanha de Dilma.

“Prévia para o Senado não é uma coisa vista com bons olhos”, diz o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi. “Quem está fazendo composição com outros partidos tem de negociar, não entrar numa disputa desgastante.” Em 2002, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi obrigado a se submeter a contragosto a prévia com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) para a definição do candidato à Presidência.

PALANQUES

A polêmica, agora, ocorre no rastro das dificuldades para a montagem dos palanques de apoio a Dilma, em parceria com o PMDB. No Rio, depois de muita briga, o PT resolveu apoiar a campanha à reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB). Há, porém, um nó difícil de desatar na briga pelo Senado.

Após desistir de enfrentar Cabral , o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), esperava ser aclamado candidato do PT ao Senado. Mas a secretária de Ação Social do governo fluminense, Benedita da Silva, está de olho na vaga e não abre mão de desafiar Lindberg.

Longe dali, em Pernambuco, o secretário das Cidades, Humberto Costa, e o ex-prefeito do Recife João Paulo Lima e Silva também não conseguem chegar a acordo sobre quem vai empunhar a bandeira do PT para o Senado. A situação se repete em Mato Grosso: de um lado está a senadora Serys Slhessarenko, que deseja concorrer a mais um mandato, e, de outro, o deputado Carlos Abicalil, interessado na cadeira hoje ocupada por ela.

“O momento não permite que a gente fique exposto durante tanto tempo a uma guerra interna”, diz o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). “Precisamos considerar que nossa unidade é importante nos três Estados, onde somos forças complementares, até porque o resultado dessas prévias não será diferente do que for decidido pelos encontros estaduais.”

CASO MINAS

No caminho petista há outros percalços. Embora a estratégia para a campanha de Dilma passe pelo crivo do Planalto, dirigentes do PT mostram preocupação com o cenário que se avizinha: ao que tudo indica, o partido tende a ficar sem nome próprio para os governos de São Paulo, Minas, Rio e Espírito Santo, Estados do Sudeste que concentram quase metade do eleitorado.

Em Minas, tudo caminha para o candidato ser o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB) – embora o PT tenha o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, como postulantes à cadeira do governador Aécio Neves (PSDB).

Em São Paulo, o PT virou refém do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que ainda não decidiu seu destino político.

No Rio está certo o apoio petista a Cabral e, no Espírito Santo, ao atual vice-governador, Ricardo Ferraço, também do PMDB. Tudo em nome do casamento de papel passado com o PMDB para garantir maior tempo de TV na propaganda eleitoral e apoio no Congresso, em caso de vitória de Dilma.

Vera Rosa

Fonte: Vote Certo

MP pode abrir inquérito contra Lula e Dilma por uso eleitoral do PAC

O deputado Carlos Sampaio (SP) comemorou a iniciativa do Ministério Público Federal de abrir inquérito civil público contra o presidente Lula e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para apurar o suposto uso eleitoral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em inauguração de obras pelo país.

A iniciativa do MPF surgiu após denúncia apresentada pelo tucano e vai investigar se houve crime de improbidade administrativa por Lula ao associar sua candidata ao principal programa de seu governo. “Foi um grande avanço, pois pela primeira vez o MPF está reconhecendo que precisa apurar esse modo de agir do presidente e da ministra”, ressaltou o parlamentar nesta quinta-feira (25).

De acordo com o Carlos Sampaio, houve prática de improbidade administrativa por uso de dinheiro público para a promoção pessoal de Dilma, viabilizando o nome da petista para a disputa ao Palácio do Planalto. “Esse programa tem que visar única e exclusivamente o interesse público, e não a promoção pessoal”, afirmou.

O deputado diz ter optado pela representação porque avaliou que o princípio de impessoalidade é ferido pelo presidente Lula todas as vezes em que ele associa o nome da ministra às obras do PAC. “Esse tipo de procedimento é vedado pela Constituição, que não permite que se associe obras públicas a nome de autoridades. Repito: as obras têm que visar o interesse público, e não ter como objetivo divulgar nomes de pessoas. Lula utilizou os empreendimentos para veicular o nome da ministra, ferindo o princípio da impessoalidade”, reforçou Sampaio.

De acordo com ele, a investigação pode levar a Justiça a determinar uma pena de inelegibilidade por cinco anos e a obrigação do ressarcimento aos cofres públicos em valor a ser definido também pelo Judiciário. “Tudo o que o governo faz é PAC. O presidente vinculou o nome de tal forma que, quando se fala em PAC, lembra-se na hora de sua candidata”, resumiu.

O prazo para conclusão do inquérito é 24 de agosto. Caso seja transformado em ação, a Procuradoria da República a protocola na Justiça Federal em Brasília. Como trata-se de improbidade, o presidente e a ministra não têm foro privilegiado.

Fonte: Site do Edson Aparecido

ISTO É: HOUVE DINHEIRO PÚBLICO NO MENSALÃO. E LULA FOI AVISADO

O Mensalão é um desses casos que envolvem gente poderosa e o não exatamente glorioso sistema jurídico brasileiro, ou seja, nem sempre aquilo de que temos certeza costuma ser “provado” nos tribunais. Mas, dessa vez, conseguiram algumas provas – e documentais – mostrando algo até então negado peremptoriamente pelos réus: o dinheiro usado no esquema era mesmo de administrações públicas.

É o que revela reportagem exclusiva da Revista IstoÉ, disponível nas bancas nesta sexta-feira.

Segundo a reportagem, que teve acesso aos documentos do processo do Mensalão, e se baseia nos autos para trazer os fatos a público, a Prefeitura de Belo Horizonte, então sob o petista Pimentel (hoje um coordenador da campanha de Dilma Rousseff), teria superfaturado contrato (e realizado dispensa ilegítima) para remeter dinheiro ilegalmente ao exterior (ao todo, US$ 80 milhões).

Parte da grana que pagaria Duda Mendonça, coisa que o próprio publicitário reconheceu em depoimento à CPI – por meio da Dusseldorf Company.

Além disso, também apontam a quitação da dívida do PT do Rio Grande do Sul diante das despesas com o Fórum Social Mundial, algo em torno de R$ 1 milhão – dinheiro repassado ao diretório estadual gaúcho. Vejam imagem a seguir (da reportagem exclusiva da IstoÉ):

Outra fonte de dinheiro público seria o Banco do Brasil, inicialmente refutada pelo governo, mas agora severamente implicada pela testemunha Danevita Ferreira de Magalhães. Em testemunho prestado à PF, ela revela que uma campanha encomendada pelo banco à agência DNA, de Marcos Valério, nunca foi realizada. Valor total da brincadeira: R$ 60 milhões. Quando Danevita avisou aos superiores da não-execução do contrato, foi afastada de suas funções. E o Instituto de Criminalística da PF, segundo a revista, possui laudos comprovando mais desvios oriundos do BB.

Ex-Ministros Desmentem Lula: Ele Foi Avisado
Além de derrubar a tese petista (todos sabíamos furada, mas até então sem provas), o inquérito também desmente a versão de Lula. Nada menos que TRÊS ex-ministros desmentem a história contada pelo Presidente, alegando ter sabido do Mensalão apenas quando surgiram as denúncias. São eles: Aldo Rebelo, Marcio Thomaz Bastos e Walfrido dos Mares Guia.

Sim, Lula sabia. Perante o juízo, os ex-ministros assim depuseram:

Tudo isso, vale reiterar, foi dito na condição de TESTEMUNHAS em processo judicial, não são declarações para a imprensa, gravações sigilosas nem nada do tipo. São documentos oficiais, e ASSINADOS pelos três.

FHC e José Alencar depuseram em juízo – o vice-presidente enviou depoimento por escrito. Lula, embora convocado, usa a prerrogativa do cargo para não depor.

Quanto ao mais, e para mais detalhes, sugiro a leitura da reportagem da edição desta semana da IstoÉ (não está disponível online, apenas nas bancas e, por razões óbvias, não vou scannear tudo).

E nem venham falar em “escândalo requentado”, pois prova documental de dinheiro público e prova testemunhal em juízo de TRÊS ex-ministros, dizendo que Lula SABIA do Mensalão, desculpem, é novidade. E grave.

fonte: Hippies.com.br

fonte: www.istoe.com.br

Gente que Mente – Ensino técnico no governo Lula.

Incrível, lendo os posts de amigos no twitter cheguei em um link interessante, porém que não reflete total realidade sobre os fatos.

No blog do PeTralha estava escrito o seguinte:

“DEP. EMILIANO JOSÉ: Em pronunciamento na Câmara Federal (dia 24), o deputado Emiliano José (PT-BA) destacou que, entre 1909 e 2003, foram construídas 140 escolas técnicas no Brasil, e que o Governo Lula vai entregar, em oito anos, 214 novas escolas técnicas. “Pode-se dizer, com tranquilidade, que nunca na história deste País o ensino profissional foi tão valorizado como soube fazer o Governo Lula. Por menos que queiram nossos adversários, essa é a verdade alvissareira para a juventude e para o povo brasileiro”, disse o deputado, reforçando que esses dados foram retirados de um artigo publicado na revista Teoria e Debate, editada pela Fundação Perseu Abramo, assinado por Eliezer Pacheco, secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação.(…)” – leia mais aqui.

Pois é, só se esqueceram de dizer que dessas 214 novas escolas técnicas que o Governo do molusco vai entregar, 179 são do Estado de São Paulo, que através do BNDES o Governo Federal financiou e que o Estado de São Paulo terá que pagar este financiamento. Parte de um programa de expansão do ensino técnico do Governo do Estado de São Paulo que através do Governador José Serra e o Secretário Geraldo Alckmin realizam. Deturpar dados é fácil, fazer de verdade é dificil.

Sem contar com as 49 FATECS que o Estado de São Paulo possui.

Deixei estes 2 parágrafos acima nos comentários do blog do PeTralha, porém como duvido muito que irão publicar o comentário resolvi deixar registrado no meu blog também.

Em ano eleitoral, deputados tentam desviar dinheiro de combate à pobreza…

Na avaliação dos governistas, isso inviabilizaria a proposta. Mas foi rejeitada por 309 a 92. “Tentaram enganar os aposentados e não conseguiram”, disse o líder do PSDB, João Almeida (BA)….

O governo sofreu uma derrota nessa quarta-feira (24/2) no plenário da Câmara. Sem conseguir mobilizar seus aliados, o Palácio do Planalto viu a proposta que cria o Fundo Social, a ser composto por dinheiro da exploração do pré-sal, destinar recursos para a recomposição dos vencimentos de aposentados que ganham mais de um salário mínimo. A proposta, apresentada pelo deputado Márcio França (PSB), reserva para os aposentados 5% do dinheiro do fundo que será destinado ao combate à pobreza. A medida foi aprovada por 356 votos a 1.

Esse foi o primeiro grande teste do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) na liderança do governo. E ele não conseguiu ser bem-sucedido, mesmo numa sessão que se arrastou desde às 9 da manhã. Ainda não é possível medir qual o valor que representará esse percentual, mas o texto aprovado pela Câmara ontem prevê que os recursos serão administrados pelo Ministério da Previdência para “recompor a diferença entre o que foi recolhido em salários mínimos e o efetivamente pago pela Previdência Social a seus segurados”.

A derrota do governo acabou exacerbada por ser ano eleitoral. Vaccarezza e outros líderes aliados não conseguiram convencer que a emenda seria prejudicial aos aposentados. Com um tema de fácil absorção eleitoral, os partidos de oposição passearam no plenário. “Não estamos dragando recursos, estamos reservando recursos para os aposentados. Não há derrotados, só um vencedor, que são os aposentados”, comemorou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).

Os governistas buscaram argumentar que a proposta de reservar 5% à Previdência inviabilizaria o Fundo Social. “Isso quebra o fundo”, sustentou o deputado José Genoíno (PT-SP).

Demagogia

O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) criticou tanto governo quanto a oposição por fazerem demagogia com um recurso que não se sabe de quanto será. “Fizeram uma discussão bizantina para discutir o nada. Do jeito que foi vendido parece que o dinheiro vai sair para os aposentados no mês que vem, mas não é assim. Esse fundo vai sair daqui a 10, 15 anos”, disse o tucano. “Ninguém sabe qual será o valor, qual o preço do barril do petróleo, quanto vai render o pré-sal”, acrescentou.

O governo ainda tentou derrubar a proposta de Márcio França ao sugerir uma alteração proposta pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), relator do Fundo Social. A ideia era dizer que os 5% do dinheiro reservado ao combate à pobreza seriam destinados aos segurados da Previdência, sem especificar qual uso. Na avaliação dos governistas, isso inviabilizaria a proposta. Mas foi rejeitada por 309 a 92. “Tentaram enganar os aposentados e não conseguiram”, disse o líder do PSDB, João Almeida (BA).

Cândido Vaccarezza avisou que não há nenhum compromisso do governo com a emenda, o que significa que se for mantida no plenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vetará. Na semana que vem, os deputados vão votar o projeto de capitalização da Petrobras e, no próximo dia 10, a emenda polêmica da partilha, que divide os recursos dos royalties com todos os estados e não somente com os produtores.

O número

5% – Percentual do fundo social destinado ao combate à pobreza que será repassado para recompor benefícios dos aposentados

Coordenador da bancada gaúcha, que perde uma vaga, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) disse que o que está em jogo é o tamanho da representatividade e do poder dos estados. Para ele, a resolução não pode ser aprovada a apenas três meses das convenções partidárias porque altera o número de candidatos que os partidos irão oferecer.

O argumento também foi usado por outros parlamentares, segundo os quais as escolhas já foram feitas. Opinião diferente à do deputado Silas Câmara (PTB-AM): “Eu desafio o partido que me apresentar agora a lista dos candidatos. Isso tudo só será decidido em julho”. Para Hugo Leal (PSC-RJ), 2010 é ano de censo e por isso, o TSE deveria aguardar dados mais precisos sobre a população brasileira. “Entendi que há necessidade da avaliação, mas não em 2010. Em 2014, faríamos as correções.”

Pontos polêmicos

O que os ministros do TSE devem discutir

# Se os dados do Censo 2000 e as atualizações feitas pelo IBGE são válidos

# Se há possibilidade de alterar as regras do pleito deste ano mesmo depois de vencido o prazo de um ano antes das eleições previsto na legislação

Tiago Pariz
Fonte: Vote Brasil

Revista MAD deste mês sofre censura na capa

Isso mesmo! A capa da edição 23 da revista MAD deste mês não era exatamente a sacada imaginada por seus editores. Outra antes havia sido criada, porém censurada, dando lugar a atual.

Capa da Revista MAD que foi censurada posteriormente

Capa censurada da Revista MAD

Capa atual da revista MAD

Cliente de Dirceu desmente governo. Valor pode passar de R$ 200 milhões

Cliente de Dirceu contradiz versão do governo

Ao contrário do que afirma o governo, o empresário Nelson dos Santos, sócio de 25% da Eletronet, diz ter direito a receber um valor que pode passar de R$ 200 milhões independentemente de a companhia ser ou não incorporada à Telebrás, estatal de telecomunicações que deverá ser reativada com o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).

A Eletronet é uma empresa em processo de falência que a União planeja recuperar para usar seu principal ativo -uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas- na oferta de internet a 68% dos domicílios até 2014.

Como revelou a Folha na terça-feira, o ex-ministro José Dirceu recebeu ao menos R$ 620 mil para dar consultoria a Santos. Dirceu nega que tenha sido sobre banda larga.

O governo, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), disse que, independentemente de a Eletronet ser usada como “espinha dorsal” do PNBL, os únicos beneficiados serão os credores. Nenhum outro grupo empresarial privado ou sócios seriam favorecidos, diz a AGU.

Não é o que acredita Santos. O empresário diz que a autofalência da Eletronet não é culpa dos sócios privados. “O pedido de autofalência foi feito pela Lightpar [que representa o governo na empresa] e não pela AES [sócia majoritária na época]“, disse Santos à Folha antes da publicação da reportagem. Procurado ontem, Santos não quis se pronunciar.

“A utilização da rede compartilhada entre o governo e as empresas privadas foi o objetivo inicial quando da privatização [da Eletronet] e só foi interrompida devido ao pedido de autofalência pela Lightpar”, disse Santos. “A rede, mesmo após a falência, nunca deixou de funcionar, em regime de continuidade de negócios, tendo sido permanente a manutenção da estrutura física.”

Por isso, ainda segundo ele, quem deveria negociar com os credores são as empresas estatais que inviabilizaram o funcionamento da Eletronet.

O governo depositou em caução R$ 270 milhões em garantia pelas fibras. Por isso, a Justiça concedeu a transferência por meio de uma liminar. Em janeiro, os credores entraram com uma petição para cassar a liminar, alegando não terem recebido o pagamento. Sem resolver essa disputa, o governo não poderia lançar o PNBL.

Agora, o governo sinaliza que não precisará mais da Eletronet, já que as fibras foram transferidas. Mas, segundo os advogados envolvidos no processo, no estatuto da Eletronet está definido que ela será a única gestora da rede por mais 11 anos. Caso o governo mude de ideia, os sócios privados terão de ser indenizados, incluindo Nelson dos Santos.

O empresário, que contratou Dirceu como consultor entre 2007 e 2009, reforça que o governo tem sócios privados e que, mesmo em posse das fibras, não pode tratar a companhia como estatal. “Se o governo queria transformar a Eletronet numa estatal, teria comprado a parte da AES quando ela decidiu sair da sociedade. A aquisição foi feita pelo valor referencial de R$ 1, registrando que essa participação da AES foi oferecida à própria Lightpar,” disse.

Outro cenário é o de que a controvérsia pela posse das fibras seja resolvida e o governo mantenha a Eletronet como “espinha dorsal” do PNBL.

Nesse caso, a Eletronet, saneada, aumentaria sua receita e faria crescer a participação de Santos. Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.
Márcio Aith e Julio Wiziack – Folha de São Paulo

Ao lado de Lula, Raúl lamenta morte de dissidente e culpa EUA

EUA e UE lamentam episódio e defendem libertação de presos políticos em Cuba e fim da repressão na ilha

HAVANA – O presidente cubano, Raúl Castro, lamentou nesta quarta-feira, 24, a morte do dissidente Orlando Zapata,falecido na terça após uma greve de fome de mais de dois meses.  Raúl conversou com jornalistas durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado de quem inaugurou obras no país.

“Lamentamos muitíssimo (a morte). Isso é resultado dessa relação com os Estados Unidos”, disse Castro, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da SIlva, que visita Cuba.

Castro disse ainda que muitos outros cubanos também haviam morrido vítimas do que chamou de “terrorismo de Estado”, que seria, segundo ele, praticado pelo governo americano.

O líder cubano disse também que nunca assassinou ninguém.  ”Não assassinamos ninguém, aqui ninguém foi torturado, mas sim na (vizinha, de posse americana) base de Guantánamo, não em nosso território.”

Ele disse ainda que está disposto a discutir com o governo americano “todos os problemas que eles tiverem”.  “Repito três vezes, todos, todos, todos. Mas não aceitamos se não for em absoluta igualdade.”

Castro criticou ainda a imprensa que “só publica o que os donos querem”.  “Aqui não há uma máxima liberdade de expressão, mas se os Estados Unidos nos deixarem em paz, poderá haver”, disse.

A chancelaria cubana também lamentou a morte do ativista em comunicado. “O presidente Raúl Castro lamentou a morte do preso cubano Orlando Zapata Tamayo, morto ontem depois de entrar em uma greve de fome”, diz o texto.

Brasil evita comentários

O governo brasileiro vai evitar fazer comentários sobre a morte do ativista Orlando Zapata, ocorrida ontem depois de 85 dias de greve de fome em protesto contra o governo cubano. O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, repetiu as palavras do presidente de Cuba, Raul Castro, na entrevista, classificando como lamentável o episódio e acrescentando que “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”.

Mais cedo, quando estava ao lado de Raul Castro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou a fazer qualquer comentário sobre o episódio ao ser questionado pela imprensa sobre a morte de Zapata e sobre problemas de direitos humanos em Cuba. O presidente limitou-se a dizer que falaria mais tarde. A expectativa, no entanto, é que isso não deve ocorrer por causa da preocupação do governo brasileiro em não interferir em assuntos internos de Cuba.

Repercussão internacional

Mais cedo, os EUA e a União Europeia condenaram a morte de Zapata. O porta-voz do departamento de Estado americano PJ Crowley disse que o governo do presidente Barack Obama está profundamente entristecido com a morte do oposicionista e que o caso foi tratado por diplomatas americanos em Havana na semana passada.

“O caso do senhor Zapata evidencia a injustiça de Cuba manter 200 prisioneiros políticos que deveriam ser soltos sem demora”, disse.

Em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia (órgão executivo da UE) John Clancy também pediu a libertação dos presos políticos cubanos. “A Comissão Europeia lamenta a morte de Zapata e oferece suas condolências à família”, disse.

Com informações de Tânia Monteiro, enviada especial do Estado, e da  BBC Brasil

Fonte: Estadão

Lula inaugura obras financiadas pelo Brasil em porto de Cuba

Na última visita oficial à ilha antes de finalizar seu mandato, presidente deve se encontrar com Fidel Castro

HAVANA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta quarta-feira as obras do porto cubano de Mariel, uma remodelação financiada pelo Brasil para ilustrar sua aliança estratégica com a ilha de governo comunista.

Na última visita oficial a Cuba antes de finalizar seu mandato, Lula vai se reunir com o líder cubano Fidel Castro, seu amigo, substituído há dois anos na Presidência pelo irmão Raúl após uma enfermidade.

O presidente brasileiro e Raúl Castro começaram a jornada inaugurando as obras de Mariel, um porto situado 50 quilômetros a oeste de Havana, que o Brasil quer converter num moderno terminal de contêineres, disse um integrante da delegação.

O governo brasileiro financiará com cerca de 450 milhões de dólares a modernização das estradas, vias ferroviárias e depósitos de Mariel, famoso porque de suas plataformas partiu em 1980 um êxodo para os Estados Unidos.

As obras ocorrerão por conta da construtora brasileira Odebrecht, que prevê começar a execução no primeiro trimestre deste ano.

Maior economia da América Latina, o Brasil se converteu em um importante parceiro de Cuba.

Embora o intercâmbio comercial tenha sido de escassos 330 milhões de dólares em 2009, Lula aprovou créditos comerciais que encherão as lojas com produtos brasileiros, apesar da crise de liquidez na ilha, e financiou projetos de infraestrutura, como o de Mariel.

Também colocou a Petrobras na busca de petróleo em águas cubanas no Golfo do México. A empresa concluiu no ano passado os estudos sísmicos, mas ainda não anunciou quando vai perfurar.

Lula e Raúl Castro falarão sobre esses e outros projetos durante uma reunião. Cuba e Brasil também preveem firmar acordos nas áreas de saúde, tecnologia e agricultura.

Lula chegou a Havana na noite de terça-feira, depois de participar de uma cúpula do Grupo do Rio no balneário mexicano de Playa del Carmen.

Na manhã de quinta-feira, o presidente seguirá viagem rumo ao Haiti, a fim de avaliar a destruição provocada pelo terremoto de janeiro na capital Porto Príncipe.

A terceira visita de Lula a Cuba em dois anos coincide com uma do presidente venezuelano, Hugo Chávez, principal aliado político e econômico da ilha.

(Reportagem de Esteban Israel)

Fonte: Estadão

Constrangido, Lula lamenta morte de opositor cubano

Presidente se encontrou com Fidel e evitou comentar violações de direitos humanos em Cuba

HAVANA - Ao lado do presidente de Cuba, Raúl Castro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a quarta-feira, 24, tentando esquivar-se de comentar a morte, na véspera, do dissidente cubano, Orlando Zapata Tamayo – que estava preso e em greve de fome por 85 dias. Só à noite, após a insistência de jornalistas, o brasileiro limitou-se a “lamentar profundamente” o desfecho do protesto do opositor.

Lula, que chegou a Havana quase na mesma hora do anúncio da morte de Zapata, evitou também emitir qualquer tipo de declaração sobre denúncias de violações de direitos humanos no país, sob a justificativa de que não se intrometeria em assuntos internos de Cuba. Raúl, por seu lado, lamentou a morte do ativista e responsabilizou os EUA por ela. O cubano disse-se disposto a conversar com Washington sobre “tudo”, mas em igualdade de condições.

Pressionado por repórteres, Lula disse não ter recebido uma carta de grupos de direitos humanos que pedia uma reunião dele com dissidentes. Um dos grupos é liderado por Oscar Chepe, representante dos presos políticos, que pretendia pedir a interferência de Lula pela libertação de mais de 200 detidos.

O assessor internacional do presidente, Marco Aurélio Garcia, disse que a carta não chegou a Lula nem houve pedido de audiência. “Há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”, declarou. O governo evita abordar questões delicadas de países que considera amigos.

Pela manhã, Lula e Raúl se reuniram a 50 quilômetros de Havana, em visita ao Porto de Mariel, cujas obras serão realizadas pela construtora brasileira Odebrecht. Coube a Raúl a iniciativa de se dirigir à imprensa. “Eu já imagino a primeira (pergunta): o homem que morreu em greve de fome”, ironizou. “Lamentamos muito. Ele (Zapata) foi sentenciado a 3 anos por ter causado problemas e foi levado aos nossos melhores hospitais. Morreu. Nós lamentamos muito”, disse.

Em seguida, afirmou: “Em meio século, não assassinamos ninguém aqui. Aqui ninguém foi torturado.” E prosseguiu: “Houve tortura na Ilha de Cuba, sim senhor, mas na base de Guantánamo, que não é nosso território.”

Questionado pelo Estado de que não é isso que dizem as entidades de direitos humanos, Raúl reagiu: “Fale para eles que discutam conosco direitos humanos em igualdades de condições e vamos ver o que sai. Quem controla a imprensa? Vocês são jornalistas e sabem disso. Quando escrevem algo que não convém ao dono o que acontece? Desde que um tal de Guttemberg inventou a imprensa, só se publica o que quer o dono da imprensa.”

Mais tarde, Lula se encontrou com o líder Fidel Castro, na residência dele. Segundo os assessores do presidente, a visita durou mais de uma hora e Lula encontrou Fidel “recuperado” e “excepcionalmente bem”. Segundo relato de Lula a assessores, a situação de Fidel hoje é muito diferente da que ele encontrou em 2008, quando o visitou em uma casa de repouso.

Fonte: Estadão

Ciro muda discurso e admite candidatura em SP; leia as frases

SÃO PAULO - A indicação de que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP) poderá desistir da disputa pelo Palácio do Planalto, nas eleições de outubro, para atender aos apelos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prefere sua candidatura ao governo de São Paulo, pode ser identificada na mudança de tom do presidenciável socialista. O estadao.com.br reuniu as últimas declarações de Ciro sobre o assunto.

Veja Também

linkCiro dá sinais de que pode concorrer ao governo de SP

Frases:

Entrevista ao Estado, em 2 de fevereiro.

“O PSDB e o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto está errado”

“Não trato o Lula como um mito. Trato como líder político. O Lula me fez um apelo para transferir o título para São Paulo. Alegou que isso ajudaria a arrumar o quadro lá. Não sou candidato ao governo de São Paulo e falei isso para o Lula. Mantenho a minha candidatura à Presidência da República.”

“Mantenho a minha candidatura à Presidência da República”.

Em nova entrevista ao Estado, no dia 6 de fevereiro.

“Eu estou dizendo que topo, mesmo isolado. Para mim é um imperativo moral. Se amanhã o meu partido me exonerar desse imperativo, também estou satisfeito, estou com a vida ganha. Não acho que eu seja indispensável para o País”,

Após reunião com líderes aliados nesta quarta-feira, 23 de fevereiro.

“Eu estou decidido, mas só o tempo vai dizer se minha decisão (de ser candidato à sucessão de Lula) vai se manter ou se serviremos o País deslocando a candidatura para São Paulo”

“De repente, o projeto nacional que o presidente Lula representa precisaria ter como uma engrenagem modesta que eu aceitasse esse desafio (disputar São Paulo). Nesse caso, a serviço do Brasil, a serviço dessa fração de São Paulo eu não titubearia em ir”

Fonte: Estadão.com.br

Serra reforça agenda com Alckmin

Com DEM enfraquecido, tucanos vão juntos a inaugurações e eventos, dando tom da provável dobradinha em SP

Julia Duailibi, Silvia Amorim

EXPOSIÇÃO -Serra, Alckmin e Kassab, em inauguração de escola técnica ontem na capital: crise no DEM reduziu poder de veto dos aliados

No momento em que o DEM, principal aliado dos tucanos, se enfraqueceu no quadro político nacional, o governador de São Paulo, José Serra, e o secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, intensificam a agenda comum e participam de inaugurações e eventos juntos, dando o tom da dobradinha que deve ser feita em São Paulo. Embora a definição do cenário eleitoral do PSDB no Estado ainda dependa de decisão de Serra sobre a candidatura presidencial, o ex-governador se fortaleceu na disputa interna após a crise política envolvendo os aliados, que veem com desconfiança o nome de Alckmin na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Serra tem convidado Alckmin para participar de eventos, até dos que não fazem parte de sua pasta. No começo do mês, em Registro, interior paulista, Alckmin já entrava no carro para voltar a São Paulo, quando foi convidado por Serra a esticar a viagem e seguirem juntos para outras duas cidades, Iguape e Itu, onde não havia agenda do secretário. Neste ano, estiveram juntos em 14 eventos, inaugurações e encontros com empresários. No fim de 2009, foram dois eventos públicos e três reuniões internas.

Anteontem receberam o embaixador americano, Thomas Shannon, na sede do governo paulista. Ontem a dupla entregou uma escola técnica no Jaraguá, zona norte da capital, onde, em tom ensaiado, posaram para fotos com crianças. Serra chegou a pedir a Alckmin que integrasse as imagens com ele.

Apesar das aparições, a relação dos dois não é de proximidade. Longe de ser um dos principais colaboradores do governador, Alckmin assumiu o Desenvolvimento numa tentativa de Serra de costurar a união no partido. Em 2008, o ex-governador disputou a prefeitura paulistana contrariando Serra, que apoiou Gilberto Kassab (DEM).

A crise do DEM no Distrito Federal e o pedido de cassação de Kassab enfraqueceram o poder de veto dos aliados, que veem Alckmin com restrições e articulam apoio ao secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira.

Mas a posição de liderança de Alckmin nas pesquisas fez dele uma peça importante no caminho de Serra. Caso se decida a disputar a Presidência, terá de dedicar mais tempo a regiões onde o desempenho do PSDB é frágil, como o Nordeste. O apoio ao ex-governador deixa a questão paulista encaminhada.

Na agenda Serra-Alckmin, é comum que sigam juntos em helicóptero, como ocorreu em Sorocaba há 20 dias, ou no mesmo carro. Além de elogios à gestão de Alckmin na secretaria, Serra tem lembrado quando discursa os feitos do ex-governador. Em Iguape, neste mês, destacou conquista da administração do auxiliar. “A mortalidade infantil aqui despencou, não é Geraldo? Você lembra que já foi na sua gestão, os índices foram caindo.”

As referências a Alckmin não ficam restritas a eventos dos quais o secretário participa. Na maioria das vezes em que Serra fala do nível recorde de investimentos do seu governo, cita Alckmin. “Nunca poderíamos estar fazendo o governo que fizemos não fosse a herança sadia, em matéria financeira, que recebemos do Geraldo Alckmin.” Num evento no interior do Estado, no início do ano, ele destacou a relação de longa data que tem com o ex-governador desde a Constituinte.

Fonte: E-mail do Dr. Janini

LEMBRAM-SE DA TELEBRAS? NÃO FALEI QUE CHEIRAVA A CARNIÇA?

Existe o modelo tucano de vender empresas estatais, que Elio Gaspari prefere chamar de “privataria”. Fazem-se os leilões em Bolsa, e leva quem paga mais. E existe o modelo petista de promover a estatização, que Gaspari ainda não apelidou, que é este que vocês verão abaixo. No modelo tucano, as empresas privadas investem alguns bilhões e, poucos anos depois, o telefone, que era um luxo, chega a todos os brasileiros. No modelo petista de promover a estatização, não se acrescenta um único celular aos telefones existentes, não se investe um miserável tostão, mas alguns saem da operação com as burras cheias de dinheiro. Um sujeito que investiu R$ 1 pode levar a bolada de R$$ 200 milhões.

No dia 18, quando Márcio Aith e Julio Wiziack publicaram a primeira reportagem a respeito, escrevi aqui o texto ESTÁ PINTANDO UM ESCÂNDALO GIGANTESCO NA TELEBRÁS! OU: A TELEFONIA À MODA PETISTA. Lia-se lá:
A história cheira muito mal. Márcio Aith e Julio Wiziack começaram a mexer num grande escândalo. NÃO SEI NADA A MAIS DO QUE A MATÉRIA REVELA;  SEI, COMO SEMPRE, O QUE INDICA A LÓGICA DO PROCESSO. E a lógica do processo me diz que não se fabrica uma valorização de ações dessa dimensão sem que homens muito, vamos dizer assim, “influentes” atuem nos bastidores e nas franjas do poder.”

Pois bem! Agora leiam trecho da reportagem de hoje de Aith e Wiziack. Volto em seguida:

O ex-ministro José Dirceu recebeu pelo menos R$ 620 mil do principal grupo empresarial privado que será beneficiado caso a Telebrás seja reativada, como promete o governo.

O dinheiro foi pago entre 2007 e 2009 por Nelson dos Santos, dono da Star Overseas Ventures, companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. Dirceu não quis comentar, e Santos declarou que o dinheiro pago não foi para “lobby”.

Tanto a trajetória da Star Overseas quanto a decisão de Santos de contratar Dirceu, deputado cassado e réu no processo que investiga o mensalão, expõem a atuação de uma rede de interesses privados junto ao governo paralelamente ao discurso oficial do fortalecimento estatal do setor.

De sucata a ouro
Em 2005, a “offshore” de Santos comprou, por R$ 1, participação em uma empresa brasileira praticamente falida chamada Eletronet. Com a reativação da Telebrás, Santos poderá sair do negócio com cerca de R$ 200 milhões.

Constituída como estatal, no início da decada de 90, a Eletronet ganhou sócio privado em março de 1999, quando 51% de seu capital passou para a americana AES. Os 49% restantes ficaram nas mãos do governo. Em 2003, a Eletronet pediu autofalência porque seu modelo de negócio não resistiu à competição das teles privatizadas.

Resultado: o valor de seu principal ativo, uma rede de 16 mil quilômetros de cabos de fibra óptica interligando 18 Estados, não cobria as dívidas, estimadas em R$ 800 milhões.

Diante da falência, a AES vendeu sua participação para uma empresa canadense, a Contem Canada, que, por sua vez, revendeu metade desse ativo para Nelson dos Santos, da Star Overseas, transformando-o em sócio do Estado dentro da empresa falida.

A princípio, o negócio de Santos não fez sentido aos integrantes do setor. Afinal, ele pagou R$ 1 para supostamente assumir, ao lado do Estado, R$ 800 milhões em dívidas.

Em novembro de 2007, oito meses depois da contratação de Dirceu por Santos, o governo passou a fazer anúncios e a tomar decisões que transformaram a sucata falimentar da Eletronet em ouro. Isso porque, pelo plano do governo, a reativação da Telebrás deverá ser feita justamente por meio da estrutura de fibras ópticas da Eletronet.

Outro ponto que espanta os observadores desse processo é que o governo decidiu arcar sozinho, sem nenhuma contrapartida de Santos, com a caução judicial necessária para resgatar a rede de fibras ópticas, hoje em poder dos credores.

Até o momento, Santos entrou com R$ 1 na companhia e pretende sair dela com a parte boa, sem as dívidas. Advogados envolvidos nesse processo estimam que, com a recuperação da Telebrás, ele ganhe cerca de R$ 200 milhões.

Um sinal disso aparece no blog de José Dirceu: “Do ponto de vista econômico, faz sentido o governo defender a reincorporação, pela Eletrobrás, dos ativos da Eletronet, uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas, joint venture entre a norte-americana AES e a Lightpar, uma associação de empresas elétricas da Eletrobrás”.

O ex-ministro não mencionou o nome de seu cliente nem sua ligação comercial com o caso. O primeiro post de Dirceu no blog se deu no mês de sua contratação por Santos, março de 2007. O texto mais recente do ex-ministro sobre o assunto saiu no jornal “Brasil Econômico”, do qual é colunista, em 4 de fevereiro passado.

Voltei
Deu para entender? Eis o jeito petista de incentivar o “estatismo”. Na entrevista que concedeu ao Estadão, Lula tratou do assunto:

A banda larga precisa de uma Telebrás?
Se as empresas privadas que estão no mercado puderem oferecer banda larga de qualidade nos lugares mais longínquos, a preço acessível, por que não?
Mas precisa de uma Telebrás?
Depende. O governo só vai conseguir fazer uma proposta para a sociedade se tiver um instrumento. Não quero uma nova Telebrás com 3 ou 4 mil funcionários. Quero uma empresa enxuta, que possa propor projetos para o governo. Nosso programa está quase fechado, mais uns 15 dias e posso dizer que tenho um programa de banda larga. Vou chamar todos e quero saber quem vai colocar a última milha ao preço mais baixo. Quem fizer, ganha; quem não fizer, tá fora. Para isso o Estado tem de ter capacidade de barganhar.

Encerro
Ele falou em “barganha”? É mesmo uma boa palavra. Como se lembram, afirmei que a coisa cheirava a carniça. E cheira! Há dias, lembrei aqui como era o “socialismo” à moda petista. Do velho regime, só sobrou aos petistas o amor pela ditadura. Seu “estatismo” faz milionários privados.

Posso citar uma frase “Máximas de Um País Mínimo”, que vocês há conhecem?
“São as empresas privadas que atendem ao interesse público; as empresas públicas existem para atender aos interesses privados”.

Bingo!!!

fonte: Blog do Reinaldo Azevedo

Os Privilegiados – Ação entre amigos

No Brasil, uma nova maneira de governar foi criada. Em Brasília há passe livre para os egressos dos movimentos sindicais, principalmente se forem ligadas ao PT. Para essas pessoas, parece que as portas são mais largas e os caminhos menos sinuosos. Criou-se na capital federal, a casta dos integrantes da Republica sindical brasileira. Hoje,”nunca na historia desse País” tantos ex-dirigentes sindicais ocuparam postos chaves no destino da Nação Brasileira. É sobre essas pessoas o que faziam e o que estão fazendo agora que nos iremos falar.

Jair Meneguelli - torneiro mecânico e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC? Alguém lembra dele? Pois bem, ele sumiu. Fomos procurá-lo. Sabe onde o encontramos? Hoje ele se encontra em Brasília. É Presidente do conselho Nacional do Sesi e comanda um orçamento deR$ 34.000.000,00. Salário atual: R$ 25.000,00. Salário anterior (no tempo de sindicalista) R$ 1.671,61.

Heiguiberto Navarro - ex-presidente do Sindicato dos metalúrgicos do ABC. Encontramos também. Sabe aonde? Em Brasília. Sabe o que ele faz hoje?É assessor do secretario nacional de estudos e políticas da presidência da republica. Gostaram do nome? Salário atual R$ 6.396,00.É elequem articula os eventos do Presidente lula quando ocorrem fora do palácio do planalto. Recordando, ele é ferramenteiro e na época tinha um salário de R$ 1.671,61.

João Vacari Neto – bancário, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de são Paulo. Também o encontramos. Adivinhe aonde? Brasília. Certa a resposta. O que ele faz atualmente? É membro do conselho nacional de Itaipu. Ajuda a decidir sobre a alocação do orçamento de Itaipu, cerca de R$ 4.500.000.000,00. Salário R$ 13.000,00. Antes o seu salário era deR$4909,20.

Paulo Okamoto – fresador, ex-tesoureiro da CUT. Está sumido do noticiário, mas nos o encontramos. Sabe aonde? Em Brasília. Certa a resposta. O que ele faz hoje? Presidente do SEBRAE. Salário R$ 25.000,00. Comanda um orçamento de R$ 1.800.000.000,00. Salário anterior, quando era pobre, R$ 1671,61.

Luis Marinho – pintor de veículos – ex-presidente da CUT. Lembram dele? Um doce para quem disser onde fomos encontrá-lo. Certa a resposta. Estou devendo um doce para milhões de pessoas. Bem feito! Estou ferrado! O que é que ele está fazendo em Brasília? Virou Ministro da Previdência Social. Salário R$8.363,80. Comanda um orçamento de R$ 191.000.000.000,00. Anteriormente o seu salário era de R$1620,40.

Wilson Santarosa - operador de transferência e estocagem, presidente do sindicato dos petroleiros de Campinas. Também está em Brasília. É gerente de comunicação da Petrobrás e membro do conselho deliberativo da Petros. Salário atual R$ 39.000,00 comanda um orçamento de R$ 250.000.000,00. Salário anterior era de 3.590,90.

João Antonio Felício - professor de desenho e historia da arte e ex-presidente da CUT. É outro que está em Brasília. È atualmente membro do conselho do BNDES salário R$ 3.600,00 por reunião da qual participa com direito a transporte hospedagem mais ajuda de custo. É um dos responsáveis pelaaprovação do orçamento do BNDES de R$ 65.000.000.000,00. Tem sob sua responsabilidade opinarsobre sua destinação e acompanhar a execução. Salário anterior R$ 1.590,00.

Sergio Rosa – escriturário e ex-presidente da confederação nacional dos bancários. Também se encontra em Brasília. É atual presidente do Previ, Fundo de previdência dos funcionários do banco do Brasil. Salário atual de R$ 15.000,00. Comanda um orçamento de cerca de R$106.000.000.000,00. Salário anterior R$ 4.500,00.

José Eduardo Dutra – geólogo, ex-presidente do Sindiminas de Sergipe, hoje Sindipetro. Hoje, graças a Deus se encontra em Brasília onde é presidente da BR distribuidora com um misero salário de R$ 44.000,00. Comandará, entre 2008 a 2012, um orçamento de R$ 2.600.000.000,00. Salário anterior era de R$ 10.000,00.

Wagner Pinheiros – analista de investimentos. Diretor da Federação dos Bancários de São Paulo. É outro que faz parte da nova republica. É presidente da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás. Salário atual apenas R$ 44.000,00. Comanda um patrimônio de R$ 32.400.000.000,00. Salário anterior. R$ 5.232,29.

É bom frisar que o salário anterior era o salário percebido como dirigente sindical.

Como se não bastasse esses que aqui foram citados, outros estão lá, levados que foram pela força do voto popular, vide casos: Vicentinho, professor Luizinho, João Paulo cunha e outros menos ou mais cotados. Num País onde vivenciamos a cada instante a falta de empregos e de oportunidades mesmo para aqueles que lutaram e conseguiram fazer um curso superior, tivemos oportunidades de ver como para determinadas pessoas os caminhos são menos íngremes e as oportunidades parecem bater-lhes às portas. O momento é de reflexão. É esta a Republica que nos queremos? A Republica que nos queremos, nos a construiremos com o nosso trabalho, com as nossas atitudes e com o nosso voto. Queremos as oportunidades como um direito de todos, e não o privilegio como o monopólio de uns poucos.

*Antonio Gomes Lacerda – Bacharel em fisica com especializaçao em fisica de plasma. Ex bolsista do CNPq. Ex professor da Unisuam. Souza Marques e Universidade Gama Filho. Co-autor do livro VOCÊ SABIA? junto com Alair Vieira Melo e Jorge Armando de Macedo Pimentel – Editora Scortecci – SP

Matéria indicada por:

Marco Aurélio Mafra Portugal.

mafraportugal@gmail.com

Fonte: http://fatormentodoaposento.wordpress.com/2010/01/29/deu-no-site-web-artigos/

Petistas da Saúde temem confronto entre Dilma e Serra

Estadao.com.br acompanhou reunião que teve participação do ex-ministro Humberto Costa

Rodrigo Alvares - estadao.com.br

Grupo mostrou preocupação pela fragilidade com que Dilma discute a Saúde

Petistas temem falta de discurso de Dilma.

Grupo mostrou preocupação pela fragilidade com que Dilma discute a Saúde

BRASÍLIA - A portas fechadas, longe dos holofotes e do discurso eleitoral, os petistas que tratam dos problemas da Saúde temem o confronto entre a candidata Dilma Rousseff e o tucano José Serra, governador de São Paulo. Menos de uma hora depois de o 4º Congresso Nacional do PT aprovar o projeto de governo para a candidata à Presidência, na última sexta-feira, 19, a reportagem do estadao.com.br flagrou uma reunião em que um grupo de petistas revelou temor pela fragilidade com que Dilma discute a Saúde e pela “vulnerabilidade” como estão entrando no debate eleitoral. O programa aprovado, afirmaram, “não vale quase nada”.

Reunidos numa sala do segundo andar do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, membros do grupo setorial de Saúde do partido queixaram-se da gestão da área no governo Lula e fizeram uma série de comentários críticos à ministra-chefe da Casa Civil. “Quem é a Dilma para nós, do ponto de vista da militância? Não podemos entrar na campanha vulneráveis como a gente está na Saúde”, questionou uma das militantes.

Participaram do encontro – que foi gravado pela reportagem -, o ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PE), o secretário de Gestão Estratégica e Participava da atual equipe do ministério, Antônio Alves de Souza, e dirigentes de todo o País.

Uma dirigente disse que ficou espantada com a falta de habilidade da pré-candidata durante um debate: “Ela entrou recuada para discutir política social na saúde. Foi um horror. Se o nosso presidente era muito verde quando entrou (para o Planalto), imagina a Dilma! Ela vai ser questionada e vai ter de falar sobre o assunto a partir de abril”, acrescentou um dos participantes do encontro de sexta-feira.

“Precisamos nos organizar para influenciar nesse processo. Temos de ganhar a nossa candidata, que não tem o que o nosso presidente tem”, afirmou Humberto Costa, que dirigiu a pasta da Saúde entre 2003 e 2005, na primeiro mandato do governo Lula. Parte da preocupação dos petistas deve-se a três fatos: a falta de intimidade da candidata com o setor, o fato de José Serra ter sido ministro da Saúde entre 1998-2002, e porque até hoje a gestão do tucano é uma das mais bem avaliadas.

A capacidade administrativa da ministra na área foi muito questionada durante o encontro. “O José Temporão (ministro da Saúde) já ficou quatro horas conversando sobre saúde com a Dilma”, disse um dos participantes. Nem o plano de governo foi poupado: “Acho que não preciso dizer para todo mundo aqui que isso que aprovaram há pouco não vale nada. Esse programa só vai ficar pronto mesmo lá por agosto. Esse encontro é para agradar a militância”, avaliou outro dos participantes da reunião.

A distância entre o ministério e o partido é outro motivo de preocupação: “Precisamos marcar encontro com ela e com Lula. O presidente vai sair com essa dívida conosco? Como vamos fazer a discussão do setor da saúde com quem não é do PT se não reconhecemos nossos méritos?”. “É essa discussão que temos de fazer, porque o Lula tá pouco se lixando para a gente (petistas)”, disse uma filiada. “Acho que a Dilma não representa, nem de perto, o governo Lula.”

Para o grupo, o PT não pode entrar na campanha vulnerável como está na Saúde. “É contraditório. Vamos ter de apresentar à população que esses oito anos não significam o que a gente quer de saúde para o Brasil”. O histórico de Serra à frente da pasta também foi mencionado. “Serra tem discurso real, (diz) que foi o responsável pela aprovação da Emenda 29 e que não conseguimos regulamentar. Todo mundo acha que ele é o papa da Saúde e tem companheiros que até concordam com isso. Bobagem. Fizemos muito menos, não dá para comparar”.

Alguns admitiram que o governo deveria ter aceitado a participação das Organizações Sociais (OS) na gestão de hospitais – o PT costuma dizer que isso é “terceirizar a Saúde”. “Eu não quero uma UPA na minha cidade. De que adianta se não consigo pagar os médicos?”, disse um secretário. As UPAs, Unidades de Pronto Atendimento, são uma forma de o governo do Rio agilizar o atendimento nas comunidades carentes, longe dos grandes centros hospitalares.

O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) também foi criticado: “Essa história de a receita que vem do governo ser a mesma para todos é uma furada. Tem uma cidade ao lado da minha que tem ambulância, estrutura. Eu não tenho dinheiro para nada e ainda vejo prefeito desviando a verba.”

Questionado sobre a insatisfação em relação à falta de propostas específicas do programa e condução do assunto pelo partido, o novo presidente do PT, José Eduardo Dutra, negou problemas. “Isso não procede. É comum que alguns termos não sejam especificados e fiquem de fora. Tivemos reclamações de todos os setoriais”.

Fonte: Estadão

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Meu comentário: O que posso dizer a respeito? Nem os petistas acreditam no que pregam! Pura hipocrisia, mentirada, bandalheira. Petistas BRINCAM com o povo.

Ex-líder, Serra diz que UNE hoje é partidarizada

Pré-candidato tucano foi presidente da entidade estudantil nos anos 60, na época do golpe militar

Carolina Freitas - Agência Estado

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), acusou nesta quinta-feira, 18, a União Nacional dos Estudantes (UNE) de ter ligação com partidos políticos. “A UNE era super politizada e muito atuante, diferente do que é agora. Hoje é mais partidarizada e diluída”, disse, em entrevista após evento de governo na capital paulista. O tucano foi presidente da entidade estudantil nos anos 60, na época do golpe militar.

“Os líderes estudantis eram líderes porque eram líderes, não por questão de partido”, disse Serra. A lembrança dos tempos de estudante surgiu quando o governador inaugurava em Heliópolis, zona sul da cidade, uma escola estadual que ganhou o nome do ex-secretário da Educação paulista Carlos Estevam Martins.

“Conheci Carlos quando eu tinha 20 anos e ele era presidente do Centro Popular de Cultura da UNE. Naquela época, a UNE era menor, mas tinha outro conteúdo”, disse a uma plateia de cerca de 200 pais e professores e de 150 crianças.

Pesquisa

Serra evitou avaliar a pesquisa de intenção de voto do Ibope/Diário do Comércio, divulgada ontem. O possível candidato do PSDB à Presidência limitou-se a dizer que o levantamento era uma “fotografia do momento” e que o cenário eleitoral muda a cada pesquisa. Os dados mostram Serra com 36% das intenções de voto e a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, provável candidata do PT, com 25%.

Professores

O atual secretário da Educação, Paulo Renato Sousa, aproveitou o evento para reclamar de uma declaração recente do ministro da Educação, Fernando Haddad, que disse planejar um programa de promoção de professores por mérito no âmbito federal.

“Achei excelente o ministro dizer isso, mas ele não falou que São Paulo já está fazendo isso”, alfinetou. “Somos pioneiros e estamos enfrentando a oposição do sindicato dos professores, dominado por correligionários do ministro.”

Artigo José Serra: Vida longa à Nova República

José Serra

Artigo publicado na revista Veja, em 20/02/2010

Nos 25 anos passados desde a redemocratização, a sociedade brasileira amadureceu, alcançou a estabilidade política e encontrou o rumo do crescimento

A Nova República completa 25 anos em março, mês em que Tancredo Neves deveria tomar posse na Presidência. Há razões para sustentar que se trata da fase da história do Brasil com o maior número de conquistas de indiscutível qualidade política e humana.
Em primeiro lugar, o país nunca havia conhecido um quarto de século ininterrupto de democracia de massas. É nítido o contraste com a oligárquica República Velha, de eleições a bico de pena, sacudida por intervenções nos estados, revoluções e instabilidade.

O período supera igualmente a fase democrática após a queda de Getúlio Vargas, em 1945. E não só pela duração – o regime da Constituição de 1946 foi desfeito em menos de vinte anos pelo golpe que derrubou João Goulart. A Nova República vai muito além na expansão sem precedentes da cidadania e na eliminação quase total das restrições ao direito de voto, com o eleitorado praticamente se confundindo com o universo da população adulta.

Longe de acarretar maior instabilidade, a ampliação da participação das massas populares coincide com um período de completa ausência de conspirações, golpes militares, quarteladas, intervenções preventivas e epílogos políticos trágicos ou temerários. Bem diferente do período anterior, que teve Aragarças e Jacareacanga, durante o governo de Juscelino Kubitschek; o movimento do marechal Lott, de 11 de novembro de 1955; o suicídio de Vargas, em 1954; e a renúncia de Jânio Quadros, em 1961.

Desde a Questão Militar do Império, passando pela primeira década da República, pela Revolta da Armada, pelo tenentismo, pela Revolução de 1924, pela de 1930, pela de 1932, pela insurreição comunista de 1935, pelo golpe de novembro de 1937 e pelo golpe de 1964, é a primeira vez que o fator militar desaparece da política brasileira, e a hipótese do golpe dos quartéis se torna na prática impensável. Não se pode atribuir essa tranquilidade à ausência de fatores de desestabilização, que foram às vezes dramáticos: a doença e a morte inesperada do presidente eleito no momento mesmo da transição do regime militar para o civil, o processo de impeachment e afastamento de Collor.

Muito menos se pode alegar que tudo se deve a uma conjuntura econômico-social particularmente favorável. Ao contrário: boa parte dos últimos 25 anos se desenrolou sob o signo da aceleração da inflação, até atingir o limiar da hiperinflação, com o agravamento dos conflitos distributivos. Em seguida, houve a fase das grandes crises financeiras mundiais (1994-1995, 1997-1998, 2007-2008). Convém não esquecer a coincidência também com as décadas perdidas em matéria de crescimento econômico. Não faltaram reveses sérios que, em outras épocas, teriam abalado as instituições. Um dos maiores foi o fracasso do Plano Cruzado e dos inúmeros planos que se sucederam, alguns com medidas draconianas, como o confisco da poupança.

Não obstante tais obstáculos, a Nova República conseguiu completar com normalidade uma conquista que permaneceu fora do alcance dos regimes do passado. A alternância tranquila no poder de forças político-partidárias antagônicas provocava sempre a polarização e a radicalização da sociedade brasileira. São exemplos os períodos de 1954-1955 e, com consequências mais graves, entre 1961 e 1964. Neste quarto de século, a alternância passou a fazer parte das conquistas adquiridas: já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais, do processo democrático e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações.

O resultado é ainda mais impressionante quando se observa que uma dessas alternâncias aparentemente mais contrastantes foi a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, encarado, a princípio, se não como força desestabilizadora, ao menos de comportamento radical e deliberadamente à margem na política nacional. Basta lembrar, como exemplo, a decisão do PT de punir seus deputados que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, e sua recusa em homologar a Constituição de 1988.

O PT, aliás, acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários dos grandes erros históricos de julgamento que cometeu. Nos dois primeiros casos, porque a eleição do primeiro presidente civil e as conquistas sociais e culturais da Constituição foram os fatores-chave que possibilitaram criar o clima que eventualmente conduziria o partido ao poder. Outros erros históricos seguiram-se àqueles. O partido também se opôs à estabilização da economia brasileira, denunciando com estridência o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas soube, posteriormente, colher seus bons frutos.

Este último exemplo, o da estabilização, é especialmente notável. Os governos militares, apesar dos 21 anos de poder discricionário em termos de elaboração de leis e normas, com elevado grau de repressão social e sindical, fracassaram por completo em liquidar a herança da inflação, acelerada na segunda metade dos anos 1950, mas que provinha do fim da II Guerra Mundial. Pior do que isso: agravaram em muito o problema ao criar a indexação da moeda, que tanto iria complicar o combate à inflação. Ao mesmo tempo, conduziram o país para a gravíssima crise da dívida externa a partir de 1981-1982, dando início a quase uma década e meia perdida no que respeita ao crescimento econômico.

O Brasil, que, segundo os estudos do professor Angus Maddison, havia sido por mais de um século, entre 1870 e 1980, o país de maior crescimento médio entre as dez maiores economias do mundo – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Índia, União Soviética, Brasil e México –, esqueceu a fórmula do crescimento e passou até a menosprezá-lo, como, aliás, ainda o fazem alguns.

Pois bem, o período de um quarto de século da Nova República, sem repressão nem poderes especiais, conseguiu finalmente derrubar a superinflação. Fez mais: resolveu o problema persistente da dívida externa herdada e até deu começo a uma retomada promissora do crescimento econômico, e à expansão do acesso das camadas de rendimentos modestos ao crédito e ao consumo, inclusive de bens duráveis.

Duas observações acautelatórias se impõem a esta altura. A primeira é que as conquistas da Segunda Redemocratização não foram o resultado de milagres instantâneos. Custaram esforços enormes e, com frequência, só se deram depois de muitas tentativas e erros. É por isso que o período tem de ser analisado na sua integridade, êxitos e fracassos juntos, já que estes são partes inseparáveis do processo de aprendizagem coletiva, para o qual contribuíram numerosos dirigentes e cidadãos numa linha de continuidade, não de negação e ruptura.

A segunda é que nenhuma conquista é definitiva, nenhum progresso é garantido e irreversível. Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem se repetirá invariavelmente hoje e amanhã. É necessário destacar tal aspecto porque a estabilidade, o crescimento e os ganhos de consumo, no que concerne ao panorama econômico-social, ainda não têm garantidas as condições de sustentabilidade no médio e no longo prazos.

Nosso dever é, por conseguinte, o de assumir com humildade e coragem a herança desses 25 anos, não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor. Não é apenas por uma coincidência deste momento com o aniversário dos primeiros 25 anos da Nova República que devemos reclamar essa denominação, injustamente esquecida devido talvez às decepções dolorosas dos primeiros anos, quando a história nos surpreendeu com o desaparecimento prematuro de Tancredo Neves, o galope da superinflação e a renitência do patrimonialismo na vida pública brasileira. Mas o Brasil mudou para melhor.

A verdade é que os fatos alinhados acima, indiscutíveis na sua consistência e na sua imensa importância, atestam o discernimento e a sabedoria que deram perenidade à obra fundadora dos grandes responsáveis pela Nova República. E aqui evoco os nomes de alguns que já nos deixaram, além de Tancredo: Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Teotônio Vilela, José Richa, Mário Covas, Sobral Pinto, Raymundo Faoro e Celso Furtado.

O exemplo inspirador de Nelson Mandela está aí para nos mostrar que a grandeza do instante fundador não se esgota naquele momento da partida, mas continua a fazer diferença no futuro. As fases da história não podem ser arbitrariamente datadas a partir de um ou outro governante ao qual queiram alguns devotar um culto de exaltação. Elas só terão coerência se corresponderem a instantes decisivos de mudança institucional: a República, a Revolução de 1930, a Primeira Redemocratização, em 1945, o golpe de 1964, a Segunda Redemocratização ou Nova República. A razão não é difícil de compreender e já está presente em Maquiavel: os fundadores de uma nova ordem na base da virtude em grande parte determinam como haverão de viver os homens e mulheres de acordo com as leis e a Constituição criadas.

O Brasil de hoje tem a cara e o espírito dos fundadores da Nova República: senso de equilíbrio e proporção; moderação construtiva na edificação de novo pacto social e político; apego à democracia, à liberdade e à tolerância; paixão infatigável pela promoção dos pobres e excluídos, pela eliminação da pobreza e pela redução da desigualdade. É na fidelidade a esse legado que haveremos de manter e superar o que até aqui se tem feito e realizar mais e melhor para o crescimento integral do povo brasileiro.

Fonte: José Serra – Blog de Notas

Vida longa à Nova República

Artigo publicado por José Serra (PSDB), governador de São Paulo, na Revista Veja 24/02/2010 – Ed. 2153

A Nova República completa 25 anos em março, mês em que Tancredo Neves deveria tomar posse na Presidência. Há razões para sustentar que se trata da fase da história do Brasil com o maior número de conquistas de indiscutível qualidade política e humana.

Em primeiro lugar, o país nunca havia conhecido um quarto de século ininterrupto de democracia de massas. É

Um dos maiores Estadistas do PSDB

Um dos maiores Estadistas do PSDB - José Serra

nítido o contraste com a oligárquica República Velha, de eleições a bico de pena, sacudida por intervenções nos estados, revoluções e instabilidade.

O período supera igualmente a fase democrática após a queda de Getúlio Vargas, em 1945. E não só pela duração – o regime da Constituição de 1946 foi desfeito em menos de vinte anos pelo golpe que derrubou João Goulart. A Nova República vai muito além na expansão sem precedentes da cidadania e na eliminação quase total das restrições ao direito de voto, com o eleitorado praticamente se confundindo com o universo da população adulta.

Longe de acarretar maior instabilidade, a ampliação da participação das massas populares coincide com um período de completa ausência de conspirações, golpes militares, quarteladas, intervenções preventivas e epílogos políticos trágicos ou temerários. Bem diferente do período anterior, que teve Aragarças e Jacareacanga, durante o governo de Juscelino Kubitschek; o movimento do marechal Lott, de 11 de novembro de 1955; o suicídio de Vargas, em 1954; e a renúncia de Jânio Quadros, em 1961.

Desde a Questão Militar do Império, passando pela primeira década da República, pela Revolta da Armada, pelo tenentismo, pela Revolução de 1924, pela de 1930, pela de 1932, pela insurreição comunista de 1935, pelo golpe de novembro de 1937 e pelo golpe de 1964, é a primeira vez que o fator militar desaparece da política brasileira, e a hipótese do golpe dos quartéis se torna na prática impensável.

Não se pode atribuir essa tranquilidade à ausência de fatores de desestabilização, que foram às vezes dramáticos: a doença e a morte inesperada do presidente eleito no momento mesmo da transição do regime militar para o civil, o processo de impeachment e afastamento de Collor.

Muito menos se pode alegar que tudo se deve a uma conjuntura econômico-social particularmente favorável. Ao contrário: boa parte dos últimos 25 anos se desenrolou sob o signo da aceleração da inflação, até atingir o limiar da hiperinflação, com o agravamento dos conflitos distributivos. Em seguida, houve a fase das grandes crises financeiras mundiais (1994-1995, 1997-1998, 2007-2008). Convém não esquecer a coincidência também com as décadas perdidas em matéria de crescimento econômico. Não faltaram reveses sérios que, em outras épocas, teriam abalado as instituições. Um dos maiores foi o fracasso do Plano Cruzado e dos inúmeros planos que se sucederam, alguns com medidas draconianas, como o confisco da poupança.

Não obstante tais obstáculos, a Nova República conseguiu completar com normalidade uma conquista que permaneceu fora do alcance dos regimes do passado. A alternância tranquila no poder de forças político-partidárias antagônicas provocava sempre a polarização e a radicalização da sociedade brasileira. São exemplos os períodos de 1954-1955 e, com consequências mais graves, entre 1961 e 1964. Neste quarto de século, a alternância passou a fazer parte das conquistas adquiridas: já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais, do processo democrático e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações.

“Neste quarto de século, a alternância de poder passou a fazer parte das conquistas adquiridas: já ninguém mais contesta a legitimidade das vitórias eleitorais, do processo democrático e do natural desejo dos adversários vitoriosos de governar sem perturbações”

O resultado é ainda mais impressionante quando se observa que uma dessas alternâncias aparentemente mais contrastantes foi a chegada ao poder do Partido dos Trabalhadores, encarado, a princípio, se não como força desestabilizadora, ao menos de comportamento radical e deliberadamente à margem na política nacional. Basta lembrar, como exemplo, a decisão do PT de punir seus deputados que votaram em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, e sua recusa em homologar a Constituição de 1988.

O PT, aliás, acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários dos grandes erros históricos de julgamento que cometeu. Nos dois primeiros casos, porque a eleição do primeiro presidente civil e as conquistas sociais e culturais da Constituição foram os fatores-chave que possibilitaram criar o clima que eventualmente conduziria o partido ao poder. Outros erros históricos seguiram-se àqueles. O partido também se opôs à estabilização da economia brasileira, denunciando com estridência o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas soube, posteriormente, colher seus bons frutos.

Este último exemplo, o da estabilização, é especialmente notável. Os governos militares, apesar dos 21 anos de poder discricionário em termos de elaboração de leis e normas, com elevado grau de repressão social e sindical, fracassaram por completo em liquidar a herança da inflação, acelerada na segunda metade dos anos 1950, mas que provinha do fim da II Guerra Mundial. Pior do que isso: agravaram em muito o problema ao criar a indexação da moeda, que tanto iria complicar o combate à inflação. Ao mesmo tempo, conduziram o país para a gravíssima crise da dívida externa a partir de 1981-1982, dando início a quase uma década e meia perdida no que respeita ao crescimento econômico.

O Brasil, que, segundo os estudos do professor Angus Maddison, havia sido por mais de um século, entre 1870 e 1980, o país de maior crescimento médio entre as dez maiores economias do mundo – EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, China, Índia, União Soviética, Brasil e México –, esqueceu a fórmula do crescimento e passou até a menosprezá-lo, como, aliás, ainda o fazem alguns.

Pois bem, o período de um quarto de século da Nova República, sem repressão nem poderes especiais, conseguiu finalmente derrubar a superinflação. Fez mais: resolveu o problema persistente da dívida externa herdada e até deu começo a uma retomada promissora do crescimento econômico, e à expansão do acesso das camadas de rendimentos modestos ao crédito e ao consumo, inclusive de bens duráveis.

Duas observações acautelatórias se impõem a esta altura. A primeira é que as conquistas da Segunda Redemocratização não foram o resultado de milagres instantâneos. Custaram esforços enormes e, com frequência, só se deram depois de muitas tentativas e erros. É por isso que o período tem de ser analisado na sua integridade, êxitos e fracassos juntos, já que estes são partes inseparáveis do processo de aprendizagem coletiva, para o qual contribuíram numerosos dirigentes e cidadãos numa linha de continuidade, não de negação e ruptura.

A segunda é que nenhuma conquista é definitiva, nenhum progresso é garantido e irreversível. Assim como não somos escravos dos erros do passado, tampouco devemos crer que a eventual sabedoria dos acertos de ontem se repetirá invariavelmente hoje e amanhã. É necessário destacar tal aspecto porque a estabilidade, o crescimento e os ganhos de consumo, no que concerne ao panorama econômico-social, ainda não têm garantidas as condições de sustentabilidade no médio e no longo prazos.

“As fases da história não podem ser arbitrariamente datadas a partir de um ou outro governante ao qual queiram alguns devotar um culto de exaltação. Elas só terão coerência se corresponderem a instantes decisivos de mudança institucional: a República, a Revolução de 1930, a Primeira Redemocratização, em 1945, o golpe de 1964, a Segunda Redemocratização ou Nova República”

Nosso dever é, por conseguinte, o de assumir com humildade e coragem a herança desses 25 anos, não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor. Não é apenas por uma coincidência deste momento com o aniversário dos primeiros 25 anos da Nova República que devemos reclamar essa denominação, injustamente esquecida devido talvez às decepções dolorosas dos primeiros anos, quando a história nos surpreendeu com o desaparecimento prematuro de Tancredo Neves, o galope da superinflação e a renitência do patrimonialismo na vida pública brasileira. Mas o Brasil mudou para melhor.

A verdade é que os fatos alinhados acima, indiscutíveis na sua consistência e na sua imensa importância, atestam o discernimento e a sabedoria que deram perenidade à obra fundadora dos grandes responsáveis pela Nova República. E aqui evoco os nomes de alguns que já nos deixaram, além de Tancredo: Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Teotônio Vilela, José Richa, Mário Covas, Sobral Pinto, Raymundo Faoro e Celso Furtado.

O exemplo inspirador de Nelson Mandela está aí para nos mostrar que a grandeza do instante fundador não se esgota naquele momento da partida, mas continua a fazer diferença no futuro. As fases da história não podem ser arbitrariamente datadas a partir de um ou outro governante ao qual queiram alguns devotar um culto de exaltação. Elas só terão coerência se corresponderem a instantes decisivos de mudança institucional: a República, a Revolução de 1930, a Primeira Redemocratização, em 1945, o golpe de 1964, a Segunda Redemocratização ou Nova República. A razão não é difícil de compreender e já está presente em Maquiavel: os fundadores de uma nova ordem na base da virtude em grande parte determinam como haverão de viver os homens e mulheres de acordo com as leis e a Constituição criadas.

O Brasil de hoje tem a cara e o espírito dos fundadores da Nova República: senso de equilíbrio e proporção; moderação construtiva na edificação de novo pacto social e político; apego à democracia, à liberdade e à tolerância; paixão infatigável pela promoção dos pobres e excluídos, pela eliminação da pobreza e pela redução da desigualdade. É na fidelidade a esse legado que haveremos de manter e superar o que até aqui se tem feito e realizar mais e melhor para o crescimento integral do povo brasileiro.

Fonte: Ninho Tucano

Diz-me Com quem andas que direi quem és

O PT passou os primeiros dez anos de sua existência evitando coligações. Com seu propósito de destoar da política partidária sempre praticada no Brasil e aplicando a máxima popular “quem com porcos anda, farelo come”, o partido evitava se unir com aqueles a quem combatia para não ser com eles confundido. O PT já era, por si, uma salada de siglas e ideologias.
Formado ainda no período ditatorial, com a anuência dos generais que desejavam a abertura por perceberem que o regime militar estava caducando, juntaram-se esquerdistas da Luta Operária, MR-8, Libelu, Ligas Camponesas, PCB, PCdoB, MNR e mais uma gama de letrinhas vermelhas. Além dessas, porrasloucas sem ideologia definida, que lutavam desordenadamente reivindicando vantagens para suas categorias laborais, entre elas o próprio Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, presidido por um tal Luiz Inácio que jamais havia lido um livro e, provavelmente, nada sabia das biografias de Marx, Lênin, Mao, Stálin ou Luiz Carlos Prestes, o que dava margem à sua manipulação por espertinhos com profundo embasamento político-ideológico de esquerda.
Percebendo que haveria uma guerra interna entre as muitas siglas que compunham o aglomerado PT quando este alcançasse o poder, sonho persistentemente perseguido, suas lideranças pardas começaram a ensaiar coligações tímidas nas eleições do início dos anos 90. Houve uma crise já esperada, portanto, facilmente contornada. Os petistas fundamentalistas, aqueles militantes de viseiras, sectários, que não conseguem ver as vias vicinais, somente a estrada principal, por causa dos antolhos que usam, ensaiaram uma rebelião, a expulsão dos progressistas. Para eles era inadmissível um partido que pregava a ditadura do proletariado, o comunismo mais comunista que pudesse existir, aceitasse sequer negociar com rosadinhos como o PDT de Brizola. E o embate persistiu, cada vez menos fraco e digerido pelos majoritários, se não em número, em poder, grupo em que se encontram os negociadores sem escrúpulos, como Lula, Mercadante, Palocci, Zé Dirceu, Greenhalgh, Mangabeira Unger, Berzoini, Genoíno e outros que tais. Esse grupo aglutinou os demais e quem não estivesse satisfeito que “pedisse as contas”.
Um grupinho, formado pelo paraense Babá, Luciana Genro, Heloísa Helena, Sebastião Nery, João Fontes, foi defenestrado. Babá, Genro, Helena e Fontes foram expulsos por acharem o PT igual aos a quem combatia, com razão, e montaram o PSOL, à imagem e semelhança do velho e vermelho PT. Levaram consigo meia dúzia de petistas insatisfeitos.
Com a expulsão desses companheiros de primeira hora, o PT dava o aviso à arraia miúda: quem manda nesse boteco somos nós, o grupo majoritário e progressista. Quem não se abaixar diante das nossas vontades, podem pular a cerca e por carreira ou nós os mandamos embora. As portas para coligações e negociações estavam escancaradas.
Assim surgiu essa agremiação monstruosa, não apenas no sentido figurado, numa referência ao tamanho a que chegou, mas também no sentido literal. O PT transformou-se numa massa disforme, sem identidade político ideológica, mas com os propósitos de um grande e inescrupuloso empresário que faz negócios, legais ou escusos, com Deus e o Capeta, desde que não perca nem as migalhas que, por ventura, escaparem de seus beiços gulosos. O PT tornou-se um monstro que engole a tudo e todos que se meterem à sua frente, insaciável por dinheiro e poder, capaz de associar-se a quem quer que seja para perpetuar-se no comando do país, mesmo que para isso seja necessário impor-nos uma ditadura disfarçada de democracia, como o bolivariano Hugo Chávez vem ensinando desde a sucursal do Foro de São Paulo instalada em Caracas.
Em nome desse poder e da insaciedade de gang inescrupulosa que comanda o partido do alto de seu pedestal intocável, colocado alguns metros acima da cegueira da Justiça, que o novo PT, sem foice e martelo, mas de gravata, pasta 007 e colarinho branco, consegue juntar ao redor do umbigo de ser líder supremo (pelo menos pró-forma, porque na verdade quem comanda é o grupo que se reúne na inviolabilidade dos escritórios escuros) e de sua candidata à continuidade dos desmandos, nomes tão esdrúxulos, quando juntos como Collor e Calheiros, inimigos mortais nas Alagoas; José Roberto Arruda e Paulo Octávio, as estrelas do DEM, segundo maior opositor do PT nessa legislatura; Paulo Maluf, o homem que, indiretamente, ensinou persistência a Lula, perdendo várias eleições até achar seu devido lugar na Câmara Federal; Ciro Gomes, tão presunçoso quanto Lula, que persiste numa candidatura falida em troca do fortalecimento de seu nome e de um séquito de ovelhas cegas que poderiam angariar algum poder para imporem para si cargos num possível futuro governo petista; Sérgio Cabral, o ignóbil menino amarelo que governa o Rio de Janeiro, estado pródigo em eleger incompetentes populistas como César Maia, seu filho Rodrigo, bispo Crivella e até um rinoceronte chamado Cacareco; José Sarney, o dono de dois estados miseráveis e cada vez mais pobres por conta da fome que a família e seus satélites têm de devorar recursos públicos; e outros tantos menos conhecidos, como Temer, que, segundo o historiador Marco Antonio Villa, “vende até a mãe”.

@Marcos Pontes

Fonte: Esculacho e Simpatia