Serra aponta solução para déficit aeroportuário

Mário Tonocchi – 26/7/2010 – 23h06

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, disse ontem, em encontro com empresários, que vai privatizar os aeroportos brasileiros mais rentáveis, se eleito. Conceder operações dos terminais à iniciativa privada, segundo ele, é a melhor saída para acabar com a ineficiência e a falta de infraestrutura do atual transporte aéreo. “Terminal aeroportuário é um shopping center que, por acaso, recebe pousos e decolagens. Deve ser cuidado pela iniciativa privada.”

Serra afirmou que  foi candidata do PT, Dilma Rousseff, quem bloqueou a privatização dos aeroportos de Viracopos, em Campinas, do Galeão, no Rio de Janeiro e de Cumbica, em Guarulhos, no ano passado. Isso, mesmo depois de o Conselho Nacional de Desestatização publicar resolução autorizando a privatização. “É uma questão ideológica.”

O tucano participou de um almoço debate com cerca de 450 empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide). Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti, é importante saber que o candidato  tucano tem propostas concretas para atuar nos problemas de infraestrutura brasileira. “Mais que isso, é importante que as pessoas se organizem para cobrar que as promessas feitas em campanha sejam efetivamente cumpridas”, afirmou.

Cenário atual – Serra observou que o Brasil vive, neste momento, um processo de desindustrialização e um retorno a uma economia voltada para a exportação de produtos primários: “Não há economia no mundo que possa ser sustentada apenas com a exportação de commodities”. Segundo ele, a principal evidência da desindustrialização está na invasão dos produtos chineses, principalmente nas áreas têxteis e de calçados. Serra também criticou o que chamou de “tripé ruim” da economia brasileira: taxas básicas de juros “maiores do mundo”; maior carga tributária planetária entre os países em desenvolvimento; e falta de investimentos do poder público na economia. E apontou o fato de o País não ter política robusta para o comércio exterior. “Não temos tratados.”

Política externa – Serra ainda criticou a política externa brasileira. Para ele, as ações do Brasil no setor durante o governo Lula se basearam exclusivamente em interesses econômicos. “Tivemos uma política de ‘negócios são negócios’”, afirmou o candidato. Vale lembrar que a frase “negócios são negócios” foi proferida, recentemente, pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Guiné Equatorial.
José Serra criticou as relações do Brasil com países sul-americanos e com a China. “Estamos fazendo filantropia com o Paraguai e com o Uruguai. Com a China, só fizemos concessões”, afirmou.

O presidenciável tucano também voltou suas críticas às relações do governo brasileiro com Cuba, dizendo: “É amigo de Cuba? Tudo bem. Mas então que use isso para soltar os presos políticos.”

Segundo ele, o PT, por ser um partido homogêneo, usa a política externa para agradar a determinados setores do partido. O candidato do PSDB voltou a dizer que o PT tem relações com as Farc, mas dessa vez recorreu a um raciocínio diferente. “Todo mundo sabe que existe uma simpatia pelo [Hugo] Chávez [presidente da Venezuela]. Ele abriga as Farc”, afirmou. E acrescentou, com ironia: “até as árvores da Floresta Amazônica sabem que a Venezuela abriga as Farc”.

MST – O presidenciável criticou ainda a ligação do MST com o PT e com o governo federal. Para ele, o grupo é formado por “revolucionários socialistas” que, por serem um movimento social, devem se manter ativos, sem o dinheiro governamental transferido a eles por ONGs.
“O dinheiro do governo vem do bolso dos contribuintes. É para investir em questões que envolvam o interesse das pessoas: saúde, educação, cultura. Dar dinheiro por motivação política não faz parte das funções do governo”, defendeu.

No dia 9 de julho, João Pedro Stédile, um dos fundadores do MST, afirmou, em entrevista à Reuters, que a vitória de Dilma vai fortalecer o movimento. Por outro lado, “se o Serra ganhar, será a hegemonia total do agronegócio. Será o pior dos mundos. Haverá mais repressão e, por isso, tensão maior no campo. A vitória dele é a derrota dos movimentos sociais”.

O tucano fez questão de deixar claro que sua afirmação sobre um possível aumento das invasões de terras com Dilma não é resultado de uma análise sua. “Foi o Stédile que disse isso, eu li isso”, explicou Serra. (com Folhapress)

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